Página principalDerrames oculares: Oclusão da artéria central da retina (OACR), oclusão de ramo da veia da retina (ORVR) e outras oclusões arteriais e venosas

Derrames oculares: Oclusão da artéria central da retina (OACR), oclusão de ramo da veia da retina (ORVR) e outras oclusões arteriais e venosas

Derrames oculares ocorrem quando há bloqueios nos vasos sanguíneos da retina, causando perda da visão. A severidade da perda da visão depende da extensão e localização do bloqueio (oclusão) e da perda do fluxo sanguíneo.

Da mesma forma que derrames ocorrem em outras partes do corpo devido ao bloqueio do fluxo sanguíneo, seu olho também pode sofrer lesões quando estruturas vitais, como a retina e o nervo óptico, deixam de receber nutrientes e oxigênio através do sangue.

Caso seu oftalmologista detecte sinais de uma oclusão ocular durante seu exame de vista abrangente, você também precisará de cuidados médicos para determinar se você está com pressão alta, doença arterial ou problemas cardíacos que possam ser a causa do bloqueio.

Caso seja encontrado um bloqueio, o tipo de oclusão arterial ou venosa da retina é categorizado por sua localização.

Oclusão da artéria central da retina (OACR)

A oclusão da artéria central da retina geralmente é representada por uma perda da visão súbita e profunda, porém indolor, de um olho. A maioria das pessoas com OACR mal consegue ver quantos dedos estão sendo mostrados bem na sua frente ou perceber a luz com o olho afetado.

A doença pode ser antecedida por episódios de perda temporária da visão que duram apenas alguns segundos, mas podem persistir por vários minutos.

A OACR é considerada um "derrame" ocular. Estudos mostram que mais da metade das pessoas que apresentam OACR têm pressão alta subjacente, e 25% têm doença da artéria carótida significativa (placa que causa o estreitamento do revestimento arterial), doença da válvula do coração ou diabetes.

Um estudo alemão descobriu que fatores de riscos de doenças cardiovasculares (CV) não diagnosticadas previamente foram apresentados por 78% dos pacientes com OACR. O fator de risco não identificado mais significativo foi estreitamento (estenose) da artéria carótida do mesmo lado do corpo em que ocorreu o derrame ocular.

Além disso, 11 dos 84 participantes do estudo (13%) tiveram um derrame antes de, ou dentro de um mês após, receberem o diagnóstico de OACR. Os autores do estudo concluíram que uma bateria de exames de diagnóstico cardiovascular, abrangente e imediata, deveria ser considerada obrigatória a todos os pacientes com oclusão da artéria central da retina.

Infelizmente, a perda da visão já consolidada em decorrência da OACR geralmente é permanente.

Oclusão da veia central da retina (OVCR)

A oclusão da veia central da retina (OVCR) causa perda da visão súbita e indolor, que pode ser de leve a severa. A maioria das pessoas terão pressão alta, glaucoma de ângulo aberto crônico e/ou enrijecimento significativo das artérias.

Um estudo universitário nos Estados Unidos fez as seguintes descobertas:

  • Negros tiveram um risco 58% maior de terem OVCR em relação aos brancos.

  • Mulheres tiveram um risco 25% maior de terem OVCR em relação aos homens.

  • Um diagnóstico de derrame aumentou o risco de OVCR em 44%.

  • Um distúrbio de coagulação foi associado a um aumento de 145% no risco de ORVR.

  • Pacientes com diabetes ou hipertensão com lesão de órgãos tiveram um aumento de 92% e 53%no risco de OVCR, respectivamente.

Os autores do estudo concluíram que pressão alta e doenças vasculares são fatores de riscos importantes para a oclusão da veia central da retina, e que os negros têm um risco significativamente maior de terem OVCR em relação a outras raças.

Ademais, pessoas com diabetes e lesão de órgão-alvo (retinopatia diabética, por exemplo) apresentam maior risco de desenvolverem OVCR, ao contrário das pessoas sem complicações do diabetes.

No caso de OVCR, seu oftalmologista observará sinais de diminuição do fluxo sanguíneo da retina durante seu exame de vista abrangente.

Perda de visão inicial ao receber seu primeiro diagnóstico de OVCR é um bom indicador do resultado visual final. Ou seja, quanto pior estiver a visão no início, pior será a acuidade visual final. De fato, para metade das pessoas com OVCR, a acuidade visual final permanece dentro de três linhas no quadro ocular nas primeiras medidas de acuidade visual.

As duas classes básicas de OVCR são:

  • Isquêmica: Fluxo sanguíneo reduzido acompanhado de baixa acuidade visual.

  • Não-isquêmica: Visão muito melhor na primeira consulta e menos achados clínicos.

O prognóstico para a OVCR não-isquêmica é bom. Mas o tipo isquêmico quase sempre apresenta visão 20/100 ou pior no início, com um risco muito maior de complicações.

As complicações da OVCR podem incluir crescimento anormal de vasos sanguíneos (neovascularização) na retina, que pode causar sangramentos dentro do olho e glaucoma que não responde à terapia convencional.

Injeções de corticosteroides e outros medicamentos dentro do olho podem ajudar a amenizar a perda de visão em pessoas com OVCR.

Se você tiver perda súbita da visão ou qualquer outro sintoma de OVCR ou novo derrame ocular, procure seu oftalmologista imediatamente.

Oclusão de ramo da artéria da retina (ORAR)

Em geral, uma oclusão de ramo da artéria da retina ocorre subitamente. Embora tipicamente indolor, uma ORAR pode causar perda abrupta da visão periférica. Em alguns casos, você pode também perder a visão central.

Geralmente, a causa é um coágulo ou placa (êmbolo) que se solta da artéria carótida do pescoço ou de uma das válvulas ou câmaras cardíacas.

A perda da acuidade visual com a ORAR dependerá principalmente da ocorrência ou não de interrupção abrupta do fluxo sanguíneo arterial ou se há inchaço na mácula,que é a parte mais sensível da retina.

A maioria das pessoas com ORAR apresenta estreitamento da carótida ou da artéria do pescoço, pressão alta, distúrbios de colesterol, doenças cardíacas ou uma combinação desses distúrbios.

A maioria das pessoas com oclusão de ramo da artéria da retina vão recuperar a acuidade visual 20/40 ou mais, mas muitas terão problemas visuais notáveis e permanentes, como pontos cegos ou distorções.

Sangramento ocular e glaucoma são outras complicações dos derrames oculares por ORAR.

Oclusão de ramo da veia da retina (ORVR)

Pessoas com oclusão de ramo da veia da retina também podem apresentar diminuição da visão, perda da visão periférica, visão distorcida ou pontos cegos. Uma ORVR acomete apenas um olho e geralmente se desenvolve em uma pessoa com pressão alta ou diabetes.

A causa da ORVR é um coágulo sanguíneo (trombo) que se desenvolve em um ramo da veia da retina devido ao enrijecimento das artérias (aterosclerose) em uma artéria da retina adjacente.

Seu oftalmologista observará sangramento ao longo da veia da retina envolvida em um padrão claro que quase sempre leva ao diagnóstico correto.

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Os pacientes com ORVR são tipicamente reavaliados cada um ou dois meses para determinar se há presença de inchaço macular crônico (edema) e/ou neovascularização. Se o edema macular persistir por mais de três a seis meses e a acuidade visual diminuir para menos de 20/40, pode ser recomendado tratamento a laser.

Nesses casos, tratamento a laser mostrou-se eficaz para melhorar a visão e aumentar suas chances de ter uma acuidade visual final 20/40 ou melhor.

Para muitas pessoas, sangramento a retina e inchaço macular decorrente de um derrame ocular por ORVR cessarão dentro de poucos meses, com manutenção da boa visão.

Para edema (inchaço) da mácula causado por ORVR, podem ser recomendadas injeções de medicamento no olho. Pergunte ao seu oftalmologista sobre os últimos tratamentos para ORVR e outros tipos de derrame ocular.

Gary Heiting, optometrista, também contribuiu para este artigo.

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